PINTURA

Escultura em arame e fragmento de  HD 40x45x15  ano 2015 - Acervo do Artista
 Série “Trojan” 2013/2015

“A arte é um vírus. O artista é o hospedeiro primário.  Por intermédio do artista a arte se manifesta e se reproduz. Sua transmissão é dada através de cores, formas, traços que estruturam os mais variados signos repletos de pluralidades e intencionalidades múltiplas”.  “Trojan” é uma série de trabalhos elaborados sobre temas pertinentes a minha tese intitulada “Manifesto do Stressionismo”.  A abordagem temática se divide entre a arte e seus desdobramentos e a tecnologia como principal veículo de comunicação na contemporaneidade. Desse diálogo que venho propondo a mais de uma década (entre os elementos de investigação apresentados) está a gênese do meu trabalho.


Sejam elas produzidas totalmente em ambiente virtual (ou utilizando os próprios periféricos como matéria prima no processo de criação) este jogo lúdico me possibilita infinitas reflexões sobre a contemporaneidade.

A série “Trojan” apresenta trabalhos pictóricos, esculturas, desenhos, artes digitais e fotografias, tendo como pressupostos teóricos a ciência dos “memes” ou “memética” desenvolvida pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins 

.A partir de meados da década de 50, ocorre uma descoberta que mudou a nossa concepção da própria maneira de vermos o ser humano – o código genético.  Ele transforma o ser humano num sistema de linguagem de informação.





O conceito de “meme” originou-se da biologia evolucionista e da teoria dos replicadores (o ser humano é um ser replicante).

Assim como na internet e na acepção comum, a palavra “meme” é usada de modo errôneo. “Meme” é frequentemente confundido com “ideia”, “conceito” ou, ainda, usado como algo de oscilante, “etéreo” ou “não material”, separado dos comportamentos e dos objetos.

Sem os “memes” não poderíamos falar, escrever canções ou fazer muitas das coisas que se associam ao ser humano.

Os “memes” são os instrumentos com que pensamos e a nossa mente é um conjunto de “memes”. 
 A memética tem implicação sobre a criatividade humana e sobre a nossa própria natureza. Uma das grandes vantagens da memética é que trata da criatividade humana como uma nova forma de criação da evolução.




Entre os Séculos XII e XIII A/C aproximadamente, uma história foi contada oralmente através dos tempos e, em forma escrita somente 500 anos depois (Século VIII) pelas mãos do também mítico poeta grego Homero em A Ilíada epopeia que relata o conflito bélico causado pelo amor do príncipe Páris de Troia, que foi agraciado pela deusa Afrodite, dando-lhe a permissão de ter a mais bela mulher do mundo.  Os cavalos de Tróia atuam no mundo virtual entre impulsos elétricos e    linguagens codificadas, transcodificadas, criptografadas, e uma infinidade de   neologismos criados diariamente. 


Pensando sobre a ótica da tecnologia, estamos sob os efeitos de um mundo expandido pela quebra das fronteiras geográficas e pelo advento da tecnologia que nos afeta economicamente, socialmente e culturalmente. A arte contemporânea, instalou-se como um vírus que prima por uma ruptura intencional das leis que regem os discursos da arte moderna, pondo em crise os seus pressupostos, e, concomitantemente os usa como objeto de “desconstrução” numa tentativa de plasmar uma nova linguagem poética do século XXI, abrindo precedentes para um discurso que muitos já chamam de pós-modernidade. Porém ainda somos por hora este último grito de modernidade, o modernismo surgiu a partir de um descontentamento de mundo e que ainda se arrasta ao homem contemporâneo, estamos no ápice, no último suspiro de uma transição ao pós-moderno.

Sociedade digital - As tecnologias dos tempos modernos influenciam no comportamento das pessoas, traçando um caminho que levou a sociedade Industrial dominada pelos “Mass-media” a se transformar numa sociedade baseada na informação com advento das tecnologias da era digital e, novas práticas de comunicação de uma nova forma de comunicação mais independente e autônoma. As novas descobertas da ciência e o ritmo frenético do desenvolvimento científico e tecnológico foram verdadeiras plataformas de lançamento ao conhecimento e desenvolvimento humano. Ao mundo foi apresentado o novo combustível que impulsionou uma série de transformações na sociedade como um todo, abrindo caminho à ciência moderna. Com o advento pós Revolução Industrial, houve um processo de aceleração da informação, com novas tecnologias e meios digitais. De dois séculos para cá, as invenções de máquinas capazes de produzir, armazenar e difundir linguagens (a fotografia, o cinema, os meios de impressão gráfica, o rádio, a TV, as fitas magnéticas etc.) povoou nosso cotidiano com mensagens e informações.


É no homem e pelo homem que opera o processo de alteração dos sinais (qualquer estimulo emitido pelos objetos do mundo) em signos ou linguagens (produtos da consciência). Esse fenômeno acarretou uma avalanche de mecanismos, que proporcionou meios cada vez mais rápidos, o que tornou a comunicação desenfreada.
A adoção de novos aparatos tecnológicos de transferência e depósito da informação influencia, cada vez mais, os fenômenos culturais contemporâneos marcados por   duas grandes guerras mundiais e a era atômica, dos velozes automóveis, aviões usados simultaneamente como meio de transporte e arma bélica, da descoberta do espaço sideral, meios eletrônicos das mais variadas formas, transplantes de órgãos, clonagem humana, da rede mundial dos computadores, globalização.

Desde meados do Século XX, as inovações das telecomunicações e da computação realizam uma substituição gradual dos sistemas analógicos por sistemas digitais de registro de textos, sons e imagens. Suportes físicos como livros, filmes e discos deixaram de ser imprescindíveis para a memória, a expressão e a transmissão do conhecimento, instaurando um novo contexto em que devem ser contemplados pela sociedade e o Estado às questões relacionadas à democratização do acesso e valorização da diversidade. Os meios de comunicação mudaram e com ele o mundo se transformou e modificou a maneira de se consumir conteúdo, cultura e informação. As cartas foram substituídas por e-mail, as transações financeiras, pagamentos e quase todo tipo de serviço e produto tiveram seu acesso facilitado pelo mundo virtual em que se puderam fazer quase tudo com um simples clique na tela de um telefone. A palavra conectividade é mais do que um neologismo frente à dinâmica comunicação a partir da suposta pós-modernidade em que vivemos. É antes de tudo estar “mergulhado” em um novo universo. O universo virtual. "A virtualização consiste em uma passagem do actual ao virtual...” (LÉVY, 1996, p.17).

Virtual é potencializar todos os canais de informação, é um campo aberto a ser destrinchado. Podemos falar em conectividade nas mais distintas esferas e segmentos de nossa sociedade, fazendo-se uso da tecnologia. O acesso a essa tecnologia vem crescendo famigeradamente dia após dia como uma infindável bola de neve que nos atinge cada vez mais a todo instante. 
Hoje estar conectado significa, interagir com um mundo de possibilidades e a quebra das fronteiras geográficas, unindo pessoas e culturas.  Gerando uma ruptura de padrões, que se faz necessária uma reflexão e um discernimento maior, sobre o uso coerente desses novos meios de comunicação e como se processa toda essa informação. Ou seja: esse excesso de informação tem que ser “filtrado” para se evitar um empobrecimento cognitivo no sentido amplo da palavra, para se fazer valer tudo que realmente acrescente e contribua para a evolução social, econômica, cultural.
Tudo isso se processa de forma interativa, descolando o espectador, do estado de elemento passivo a um interventor. Hoje ele se conecta, navegando por hipertexto, estímulos auditivos e visuais, numa interação entre os homens e as máquinas como nos descreve Diana Domingues em seu livro “humanização das tecnologias”.
O computador, os tablets, os aparelhos celulares,  entre outros meios, são os chamados “gadgets” que nos  servem como instrumento, veículo e ferramenta de ligação a uma nova realidade inovadora na comunicação, passados da sociedade industrial para a sociedade da informação onde a troca de informações é o palco do grande espetáculo da interação, das redes sociais, onde tudo se transforma em e-business, e-comerce entre tantas outras termologias adotadas,  entre códigos que identificam esta nova realidade processada por bits e bites.
Esse novo imaginário se apresenta de forma híbrida, autônoma, indo ao encontro do experimentalismo da desmaterialização numa nova recodificação de tempo e espaço geográfico, transpondo fronteiras e desvelando a civilização virtual.
Os novos tempos anunciam um imenso asteróide de trocas de informações viajando a velocidade da luz da comunicação, em rota de colisão ao que hoje está sendo denominado como cultura digital. Podemos dizer então que a tecnologia contribui para a formação do novo, seja ele estético, cultural, temporal, social. Para os cidadãos cosmopolitas, padronizados através de uma sociedade baseada no consumo, e nesse sentido, o novo também reflete no organismo da metrópole e em seu cotidiano.
Considerando o barateamento da tecnologia como um mecanismo facilitador de acesso a informação tendo a comunicação mais democrática funcionando como um botão ativador de uma cultura que interliga novas tribos urbanas (Zippies, Hackers, Crakers, Ciberativismos) articulados através das redes sociais por mensagens instantâneas e emails.
Caminhamos para a desmistificação da ideia de que o mundo tecnológico contribuiria para um ostracismo que confinaria o ser humano alienado ao mito de narciso que de acordo com a teoria de McLuhan, o que importa neste mito é o fato de que os homens se tornam fascinados por qualquer extensão de si mesmos em qualquer material que não seja o deles próprios.
Com o advento da tecnologia, o homem projetou para fora de si mesmo, um modelo vivo do próprio sistema nervoso central. Novos fenômenos surgem a cada dia, contribuindo para estabelecer relações entre o homem/mundo e máquina, potencializando uma cultura ou Cibercultura, que se instaura a partir de agora como comportamento de uma nova sociedade; seja numa simples transação bancária ou através do voto eletrônico ou promovendo revoluções e manifestações sociais num lampejo articulado através das redes sociais, transformando toda uma realidade (virtual ou não).



































































































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